“Ajudar
as pessoas me faz bem”, diz cristão que saiu da Cracolândia
Ex-viciado, Tiago Nogueira foi
ajudado pelo projeto Cristolândia e hoje cursa Direito em São Paulo
por Tiago
Abreu
Com base no rap e em sua fé, Tiago Nogueira hoje é um dos ex-viciados
que saíram da Cracolândia, espaço localizado na região central de São Paulo
conhecido pela grande quantidade de usuários.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo,
Tiago hoje ajuda dependentes e se declara missionário, gravou seu primeiro
álbum de rap e, ainda por cima, foi considerado o melhor estudante em uma
instituição de ensino superior privada que frequenta. Nogueira, atualmente,
cursa Direito.
“Entrei pela porta da Cristolândia (ONG que auxilia usuários do crack a
deixarem a droga) no dia 8 de maio de 2012, às 15h30, após quatro anos vivendo
no fluxo”, disse Tiago, que possui 35 anos de idade.
Seu foco é trabalhar, futuramente, na Defensoria Pública, para ajudar
pessoas em dependência química. Sua graduação é financiada com o apoio de uma
ONG e possui boas notas. “A matéria que mais gosto de estudar é Direito Civil,
e tirei nove notas 10. Estou no segundo ano e luto para manter esse ritmo”.
“As notas dele são realmente acima da média, e ele sempre participa das
aulas e das nossas atividades. Temos orgulho dele na faculdade”, elogiou a
coordenadora do curso, Eliana Berta Fernandes Corral.
Com problemas familiares, Nogueira acabou tendo contato com as drogas
durante a adolescência. “Acordei me olhei no espelho e percebi que tinha me
tornado um farrapo humano. Estava muito magro, ‘noia’ e de muleta, tinha
passado quatro dias fumando crack direto”, contou. Em diante, o jovem decidiu
pedir ajuda à Cristolândia.
O estudante discordou da recente ação policial na Cracolândia, promovida
pelo Estado. “Sabemos que há interesse imobiliário em revitalizar a área, mas é
preciso cuidar das pessoas. Só agir com autoritarismo não resolve. Assim, a
cracolândia nunca vai deixar de existir”, afirmou.
Por fim, Tiago acredita que sua luta atual é contra si mesmo. “Nunca
posso achar que estou bem, sempre estou em progresso. Ajudar as pessoas me faz
bem, porque todos os dias me deparo com a realidade que vivi”.

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