Pastor é criticado e denunciado no MPF por
batizar índios
Publicação com imagem de cerimônia
religiosa gerou reações negativas nas redes sociais
por Jarbas Aragão
Ao postar uma foto do
batismo de uma aldeia inteira, o pastor Isac Santos não imaginava que seria
vítima de uma avalanche de protestos e denunciado ao Ministério Público Federal
(MPF). No dia 22 de agosto ele publicou em seu Facebook uma imagem da tribo de
índios xavantes que vivem na cidade de Água Boa, no Mato Grosso.
Trinta e oito integrantes da
aldeia, inclusive o cacique, estavam vestidos de roupas brancas e o pastor
sorria de braços abertos ao fundo. Para os evangélicos isso seria motivo de
comemoração, mas após o site esquerdista Todas Fridas divulgar
a publicação fazendo críticas, acusando o pastor de promover “genocídio cultural”,
a foto reacendeu o debate sobre a evangelização de indígenas no Brasil.
Em pouco tempo a foto viralizou,
com mais de 16 mil reações e 10 mil compartilhamentos. Além da repercussão, em
grande parte, negativa, o pastor começou a receber ameaças. Líder da Igreja
Tempo de Semear, Isac diz conhecer o cacique da aldeia há mais de um ano e que
possui boa relação com os xavantes.
“Eles eram convertidos ao
cristianismo. Ao contrário do que os ignorantes pensam, na aldeia deles possui
energia e televisão. Além disso, os indígenas daquela região têm conta no
banco, título de eleitor, Bolsa Família, falam português e fazem faculdade.
Eles não ficam dançando ao redor do fogo o dia todo”, destacou.
O líder religioso rebate os que
chama de “ativistas de teclado”, ou seja, as pessoas que ficam fazendo ativismo
pelas redes sociais no conforto de suas casas. “Fazer dos indígenas uma
bandeira de ativismo é muito bizarro. Os tratam como bichos, como se fossem
incapazes. Os indígenas dizem que podem tomar suas próprias decisões. Eles
escolheram a nossa fé. Parece que é crime o fato de eles terem escolhido o
cristianismo”, instiga.
O pastor comentou também as
inúmeras ameaças que recebeu pela internet. “No meu Facebook, comenta quem
quer. Na minha caixa de mensagem há todo tipo de ameaça. Mas não é disso que se
trata a democracia? Eles xingam quem eles querem, eu batizo quem quiser ser
batizado”, asseverou.
Após a postagem do
pastor viralizar, a pedagoga Juliani Caldeira protocolou uma denúncia junto ao
Ministério Público pedindo uma investigação sobre o caso.
Além do pastor, ela quer que seja
ouvida a vereadora Aninha Carvalho, da cidade de Trindade (GO), que participa
de trabalhos missionários como este em Areões. A denunciante não aceita que
alguém representante do Estado participe de cerimonias religiosas como o
batismo de índios.
“Sendo o Estado Laico e sendo a
vereadora representante do povo no seu mandato, teria ela o consentimento para
entrar em aldeias, levando a sua cultura para um grupo que já possui a sua
própria?”, questionou a pedagoga no material enviado à procuradoria.
O controle de acesso de
missionários em tribos indígenas é feito pela Fundação Nacional do Índio
(Funai). A entrada de missões em terras indígenas só pode ocorrer com
autorização da presidência do órgão ou quando as lideranças das aldeias
autorizam a entrada, como foi o caso do pastor Isac.
A Funai diz que não recebeu
oficialmente nenhuma denúncia sobre o caso em Água Boa. Com informações BBC

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