ELEIÇÃO NA CGADB É MARCADA
POR SUSPEITA DE FRAUDES EM INSCRIÇÕES
Auditoria levanta
dúvidas sobre a idoneidade do processo de inscrições de pastores
por Jussara
Teixeira (repórter especial)
Pastores das
Assembleias de Deus de todo o país estão entrando na justiça para impugnar seus
registros de inscrição para a eleição da nova diretoria da Convenção Geral das
Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).
Segundo o
relatório de uma auditoria, que o Gospel Prime teve acesso com exclusividade,
foram constatadas diversas irregularidades, uma delas a de que muitas
inscrições foram realizadas sem o conhecimento dos pastores membros da
entidade.
Muitos nomes
inscritos não constam no cadastro de associados da convenção, outros são de
pessoas falecidas e outros ainda não estavam em dia com as anuidades, o que
impede que os mesmos sejam inscritos, de acordo com o estatuto da própria
denominação.
O relatório (veja na íntegra aqui),
elaborado pelos auditores Oseias Gomes de Oliveira e Kléber Almeida da Silva,
revelou que diversas irregularidades foram encontradas com a análise dos dados
das inscrições, apontando dados inconsistentes de inscrição, como fornecimento
de e-mails e telefones inválidos.
No total, já se
somam 11 representações que descrevem, por meio de planilhas de conciliação de
dados e documentação baseada nas auditorias as inconsistências encontradas.
Segundo as informações constantes no relatório de auditoria, 793 e-mails foram
verificados como inválidos, e muitos desses caracterizariam cadastro em
série, pois todos têm a mesma formatação.
Também entre os
números de telefones informados, 901 foram contabilizados como ausentes ou com
dígitos faltantes. O relatório conclui que “é possível verificar que em alguns
casos, a digitação do número de telefone é inválida, e foram criados de forma
sequencial (…) demostrando claramente fundadas suspeitas de fraude e inserção
falsa de informações no sistema eleitoral”.
O pastor Gesiel
Oliveira, da Assembleia de Deus Zona Norte de Macapá (AP), que abriu uma
representação a respeito das irregularidades encontradas no processo de
inscrição, cita ainda que uma das evidências de irregularidades é o súbito
aumento de inscrições no último dia válido para a inserção de nomes.
Segundo ele, de 18
mil inscritos a lista passou para 30,6 mil inscritos em cerca de uma hora.
“Em menos de uma
hora, houve mais de 12,6 mil inscrições. Das 54 convenções cadastradas, apenas
a Confradesp inscreveu 30,84% do total de inscritos. Isso não seria problema,
se o espelho de detalhamento de inscritos não fosse negado pela comissão
eleitoral. Esse fato acendeu a luz amarela, deixou clara a forma nebulosa como
vem sendo conduzido esse pleito”, conclui Oliveira, acrescentando que são
diversas situações que ameaçam a lisura do processo, chegando a dizer que a
CGADB teria se tornado um “antro de ilegalidades”.
Entre os pastores
que entraram com ação junto à comissão eleitoral estão o primeiro tesoureiro da
CGADB e presidente da Convenção Fraternal dos Ministros das Assembleias de
Deus do Espírito Santo (Confrateres-ES) Ivan Bastos, o presidente
da Convenção Estadual da Assembléia de Deus no Amazonas (Ceadam-AM)
Jonatas Câmara, o presidente da Convenção de Ministros das Assembleias de Deus
do Estado do RJ (Comaderj–RJ) Jonas de Paula, o presidente da Convenção
Estadual da Assembleia de Deus no Estado de Roraima (Cedader) Isamar
Ramalho, e os pastores Claudio Dias, Campelo Figueiredo, Gesiel Oliveira, Joed
Caldas, Sadi Caldas, Enaldo Ferreira Brito e Rodivaldo Brito do Espírito Santo.
É a primeira vez na
história da CGADB que um processo de auditoria é instaurado no período
eleitoral. Ele foi determinado depois que indícios de fraude foram encontrados
na última eleição, que culminou na continuidade do pastor José Wellington
Bezerra da Costa como presidente, determinando seu 6º mandato à frente da
denominação. Na época, diversas ações e litígios foram impetrados, mas um
acordo anulou os processos, restando, no entanto, a promessa do fim da chapa
única.
A eleição da nova
mesa diretora está marcada para 9 de abril de 2017. O pleito é motivo de
muita expectativa entre os integrantes da denominação, já que após 25 anos, o
pastor José Wellington Bezerra da Costa não estará mais concorrendo. A disputa
seria entre seu filho, José Wellington Junior e Samuel Câmara, que tenta a
eleição pela 4º vez.
Uma das novidades
do atual processo eleitoral foi a decisão de que todos os interessados poderiam
concorrer livremente, sepultando o sistema de chapa única “de consenso”, o que
para muitos representou uma vitória da democracia.
Também foi
instituída a possibilidade de voto eletrônico. Os ministros que estiverem em
dia com suas obrigações com a entidade podem votar pela internet de qualquer
lugar do mundo. Isso solucionaria o problema de falta de lugares próprios para
a realização da votação presencial. No último pleito foram mais de 16 mil
votantes para a escolha da direção da entidade.
A Assembleia de
Deus, fundada há 105 anos no Brasil, é a confissão evangélica com maior número
de fiéis no país, com cerca de 12,3 milhões de membros, de acordo com último
censo do IBGE.

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